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Linha Toxicodependência

O seu espaço na net para saber mais sobre toxicodependência

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Linha Toxicodependência

05
Set07

Drogas, pais e filhos: combater a toxicodependência

linhatoxicodependencia
Uma vez a toxicodependência instalada, aqui vão 7 “ferramentas” para ajudar a combatê-la:
  • Identificar e utilizar valores tais como a saúde, o(a) companheiro(a) ou família, a aparência, a relação com Deus, a inteligência, a posição na comunidade, o auto-respeito, a sua profissão ou os amigos.
  • Motivação. A melhor resposta que se pode dar à pergunta: “Quando é que as pessoas mudam?” ainda é: quando quiserem!
    O que se pode fazer então é activar o desejo de saída, contrariando a filosofia de algum modo instalada no nosso país de que as drogas vieram para ficar e que não há outra solução senão adaptarmo-nos a elas, fazendo ver ainda que ao contrário do que alguns apregoam, a toxicodependência não é uma doença crónica, recorrente e fatalmente progressiva e que há saída para ela.
  • Recompensas. Pesar os custos e os benefícios da toxicodependência. As pessoas desistem da droga quando começam a ter mais recompensas por viverem sem ela do que com ela.
  • Recursos. Identificar forças e fraquezas, avaliando as reservas que se tem e as que estão faltando para depois as ir buscar!
  • Procurar apoio entre as pessoas mais próximas, a começar pela família.
  • Procurar amadurecer a identidade pela procura do auto-respeito e de uma vida de novo responsável.
  • Procurar alcançar objectivos mais altos, perseguindo e atingindo coisas de valor como, por exemplo, coisas que beneficiem outras pessoas e contribuam para o bem-estar da comunidade. Habitualmente quando alguém deixa de ser egoísta e se foca nas outras pessoas, acaba por desistir do seu comportamento autodestrutivo.
05
Set07

Drogas, pais e filhos: sinais de alerta

linhatoxicodependencia
Ainda na expectativa de ajudar os pais na prevenção do uso de drogas por parte dos seus filhos, eis alguns sinais de alerta:
  • Desinteresse repentino pelos verdadeiros amigos, pela escola, pela família e pelos desportos.
  • Isolamento. Passar horas a fio na rua ou enfiados no quarto.
  • Pedir bastante dinheiro em casa, utilizando os mais variados pretextos (virtual pagamento de multas, gasolina, etc.).
  • Começar a ser bastante crítico com as pessoas e com a vida.
  • Cada vez mais dificuldade em acordar ou adormecer.
  • Mudança súbita de vestuário e desleixo.
  • Desaparecimento de objectos pessoais ou de familiares (ouro, antiguidades, etc.).
05
Set07

Drogas, pais e filhos: atitudes básicas

linhatoxicodependencia
Como na origem dos problemas de infância que poderão conduzir à droga a atitude dos pais, ou de quem exerça esse papel, é de primordial importância, há 13 atitudes básicas que deveriam ser tomadas em linha de conta (1).
  • Os pais deveriam dar às crianças um sentimento de segurança.
  • A criança foi feita para sentir que é amada e desejada.
  • O medo e o castigo devem ser evitados tanto quanto possível.
  • Deveria ser dada à criança a possibilidade de aprender a ser independente e responsável.
  • Os pais deverão aparentar calma e ser tolerantes, não se mostrando chocados, quando as crianças derem evidência de instintos “selvagens” próprios da sua condição humana.
  • Os pais deveriam ser tão firmes e consistentes quanto possível, de forma a evitar, na criança, a confusão e o aparecimento de atitudes contraditórias.
  • É pouco prudente fazer com que uma criança se sinta inferior.
  • É imprudente forçar uma criança para além das suas capacidades.
  • Os sentimentos e os desejos da criança deveriam ser respeitados, mesmo se não estiverem exactamente de acordo com os desejos dos pais. Á criança deveria ser permitida a satisfação dos seus desejos, dentro, claro está, dos limites do razoável.
  • Todas as perguntas que as crianças façam devem ter uma resposta franca e honesta, que não ultrapasse a sua capacidade de compreensão.
  • Os pais deveriam mostrar apreciação e interesse em relação às coisas que os seus filhos estejam a fazer, mesmo que pelos padrões deles, elas não sejam interessantes ou importantes.
  • Mesmo que as crianças tenham dificuldades ou problemas, elas deverão sempre ser tratadas, tanto quanto possível, como se fossem normais e saudáveis.
  • É preferível educar os filhos com o objectivo do crescimento, desenvolvimento e do melhoramento, do que com o objectivo da perfeição.
(1) Maurice Levine

Se os pais criarem a ilusão de que saberão pôr em prática todos estes ensinamentos, ficarão inevitavelmente desiludidos por terem criado esse ideal impossível de perfeição. Não é isso que se pretende.

O que se passa é que, muito frequentemente, as atitudes assumidas pelos adultos são desfavoráveis ao saudável e feliz desenvolvimento da criança, tendo como resultado toda uma variedade de situações que se poderão desenvolver depois, como a utilização das drogas, como refúgio (virtual) para o seu mal-estar.

Na perspectiva da Elsa (nome fictício), ex-toxicodependente, os pais deverão:
  • Não aceitar a “benignidade“ das drogas “leves”, ajudando-os a compreender que as mesmas são frequentemente causadoras da “ingressão” nas drogas “pesadas”.
  • Não passar a ser polícias – o uso das drogas não se resolve com tensão e ansiedade.
  • Não se envergonharem por terem um filho “drogado”. Devem falar com ele, pedir ajuda a pais na mesma situação e/ou a especialistas.
  • Procurar ajudar o filho em vez de lhe atirar à cara as asneiras que anda a fazer, tomando consciência que tão cedo as asneiras não vão acabar.
  • Aceitar que, ainda que inconscientemente, são eles pais que sustentam o vício dos seus filhos, facilitando-lhes a vida.
  • Não acusar, mesmo que seja esse o impulso que sentem, num momento de raiva e desespero.
  • Dar um acompanhamento mais activo, paralelamente ao apoio prestado pelos técnicos.
05
Set07

Drogas, pais e filhos: os porquês

linhatoxicodependencia
Quando alguém se interroga dos porquês da entrada na toxicodependência, surgem, inevitavelmente, por esta ordem ou outra: a busca do prazer imediato, a pressão por parte dos outros, a curiosidade, a acessibilidade, a vontade de se sentir mais velho(a) e/ ou confiante, a revolta, a dificuldade de enfrentar a pressão, de conseguir lidar com maus tratos ou abusos ou uma forma de melhorar a imagem.

Não nos esqueçamos que estamos a tratar, na maioria larga das vezes, de uma franja particular da população – a juventude – que está habituada a receber mais informação do que aquela que pode descodificar e que é habitualmente confrontada com mais opções do que aquelas que pode tomar, numa idade em que é mais apetecível agir que reflectir.

Pode dizer-se que, de um modo geral, os jovens experimentam drogas porque o seu sistema de valores interno não está suficientemente desenvolvido para resistir às pressões externas.

Uma vez deixados enredar, só conseguirão delas libertar-se quando conseguirem assumir responsabilidades perante si e os outros, quando forem capazes de tomar decisões, e tiverem arcaboiço para suportar depois as consequências, e quando conseguirem reconhecer obrigações nos valores (habitualmente adormecidos durante a fase dos consumos) que sustentam, quer eles estejam relacionados com os seus filhos, pais, amigos, empregados, colegas, vizinhos, ou com o país em que vivem.

Acresce que a sociedade de consumo em que se (nos) integram está aliada a diversas questões, como forte individualismo (egoísmo), competitividade, busca incessante do cómodo e confortável, falta de solidariedade e de comunicação, ansiedade e stress, factores estes que vão provocar, depois, insegurança e instabilidade psicológica.

Além disto, podemos apontar a existência de problemas sociais como desemprego, pobreza, exclusão, racismo, degradação patrimonial, falta de condições de ensino e insucesso escolar e profissional, os quais, juntamente com a indiferença religiosa e a inexistência de crença na transcendência humana, podem ser conducentes ao uso de substâncias psicoactivas.

Deste modo o recurso à droga pode ser visto como a forma de o Homem combater um sentimento individual e colectivo de angústia e insegurança.
05
Set07

Recluso drogado: por que não tratá-lo?

linhatoxicodependencia
Publicou o "Expresso", dia 23 de Setembro último, uma reportagem sobre uma “sala de chuto” em Madrid - “No inferno das seringuilhas” -, acompanhada de um artigo de opinião, em que o signatário propôe a sua implantação no meio prisional português.

Partindo do pressuposto que, conforme reza a edição da Presidência do Conselho de Ministros da Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga, “…é importante que quem está incluído em programas de redução de danos (como são as 'salas de chuto', as trocas de seringas e a distribuição de drogas de substituição) conheça os seus objectivos limitados, saiba da existência dos programas de tratamento e a eles tenha acesso facilitado”, e sendo universalmente aceite que o factor tempo é o mais decisivo na recuperação do toxicodependente, sendo que logicamente na prisão ele tem todo o tempo do mundo… então por que não tratá-lo?!

Dizia o antigo ministro da Justiça, Dr. António Costa, em entrevista à Visão: “Não podemos pedir à prisão que passe a ser outra coisa, a escola, o centro de tratamento, o hospital.” E eu pergunto, porquê?

Por que não aproveitar a circunstância para estabelecer com o recluso toxicodependente – cerca de 70% da população prisional portuguesa - um novo projecto de vida, com a ajuda de uma equipa pluridisciplinar e profissionalizada, composta entre outros por clínicos gerais, psiquiatras, enfermeiros, técnicos de aconselhamento e assistentes sociais, apostada num acompanhamento psicosocioeducativo adequado?

Porque não transformar aquele espaço, tradicionalmente um espaço de tristeza, de violência, de doença e de miséria moral e afectiva, num novo espaço de esperança – o que constitui, de facto, barreira para um tratamento com sucesso, é a falta dela! – um espaço onde o recluso toxicodependente aprenda a reconhecer e a evitar toda uma gama de estímulos que condicionaram no passado o seu comportamento toxicodependente, ajudando-o dessa forma a extinguir as respostas condicionadas por esses estímulos, e que, indo ao encontro da finalidade para que foi criada, se constitua uma verdadeira antecâmara para uma vida de novo autónoma, responsável e apetecível?

Argumentar-se-á que a empreitada é impossível porque isso pressuporia acabar com o tráfico de droga no interior das prisões, e isso ninguém acredita.

Neste aspecto, a perspectiva vigente é que o consumo existe porque há tráfico e que nunca se conseguirá acabar com ele, só que ela está completamente errada.

Há tráfico porque há consumo!

Concordando que quando há procura é praticamente impossível evitar a resposta da oferta – toda a economia de mercado é dominada pela soberania do consumidor – porque não reprimir a verdadeira origem do fenómeno, o consumo de drogas, desintoxicando e tratando os seus utilizadores, gastando no processo os recursos necessários?

Trocas de seringas ou “salas de chuto” dentro das prisões?

Como é possível a prisão cumprir o seu papel organizando a continuação da toxicodependência?

Logicamente que assim, saindo o recluso dependente com a mesma cabeça com que entrou, será uma questão de tempo voltar lá outra vez!

Outro aspecto não menos importante é, como se pode pretender que, fornecendo a parafernália adequada à manutenção do vício, se consigam diminuir depois as doenças a ele associadas?

Como muito bem dizia o presidente do Sindicato dos Guardas Prisionais, a medida: “Não vai combater em nada as doenças infecto-contagiosas. Pelo contrário, poderá aumentar a propagação. E depois é a utilização das seringas como arma.”

Máquinas de distribuíção de seringas? Como é que alguém conseguirá parar com as drogas, vendo permanentemente o vizinho do lado a drogar-se?

E qual o papel do guarda prisional perante um ambiente de consumo livre?

Qual deverá ser a sua atitude para com o recluso que apresenta à sua frente droga para se injectar? (A mesma questão fora das prisões: qual deverá ser o papel do polícia que intercepta o “junkie” com droga? Vai medir a distância que o separa da sala de chuto?)

P.S.1 -Medidas como estas, ditas de “redução de danos” e as vantagens económicas e políticas que trazem a certos grupos, têm contribuído largamente para o actual estado da nação do problema da droga em Portugal, como se sabe, nesta problemática, na cauda da Europa.

A propósito seria bem conveniente e interessante investigar as instituições constituídas e/ou acarinhadas por quadros superiores dos organismos relacionados com esta matéria e que são efectivamente campeãs na arrecadação de subsídios na política de combate à toxicodependência!

P.S.2 – Já agora para quando os bares para consumo protegido e recatado para os alcoólicos, em bem maior número que os heroínómanos, e as auto-estradas sem limite de velocidade, com melhor piso, para os automobilistas que quiserem andar com um bocadinho mais de segurança a 250 km por hora?

Manuel Pinto Coelho
(Presidente da APLD)

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